Escola Estadual Modelo 2018
Professor. Francisco Eudo Lima Ribeiro- 9º Ano
Texto de História: Transição do Império para a República.
Esta pesquisa procura mostrar que nos finais do
século XIX, havia uma crise política e econômica excessivamente grave. Em todo
o país notava-se o descontentamento, onde a situação comercial portuguesa era
fraca, onde os operários, os agricultores e outros trabalhadores ficavam cada
vez mais pobres. E de outro lado a alta burguesia cada vez enriquecia mais com
os lucros ganhos com a indústria e o comércio. O rei e a família real
arruinavam o dinheiro do reino e não conseguia melhorar as condições de vida do
povo.
Dessa forma, o
regime monárquico brasileiro passou a ser considerado por diversos setores da
sociedade como inadequado aos problemas da época, tanto político como
social-econômico. Atrelada ao conservadorismo político e a escravidão, dessa
forma a monarquia foi se isolando, tanto no plano internacional como no
nacional. Onde sob a ótica do primeiro, a burguesia industrial questionava a
escravidão e com ela, indiretamente a monarquia e no ponto de vista nacional, o
segundo Reinado começou a ser abandonado pela Igreja, que insurgiu contra a
submissão ao Estado através do padroado (questão religiosa); pelo Exército, que
não aceitava mais ficar relegado, pelo governo e onde essa insatisfação viria a
eclodir com a revolta de importantes chefes do Exército, em face ao descaso de
político e ministros conservadores àquela instituição (questão militar); e
pelos senhores de escravos, que não se conformavam com a abolição da
escravatura e com fato de não terem sido indenizado (questão abolicionista).
Além de que desde 1870, o ideal republicano, que há havia estado presente em
vários movimentos brasileiros, ganhara uma formação mais sólida e concreta.
A Crise da Monarquia.
A crise do sistema
monárquico brasileiro pode ser analisada através das seguintes questões:
Interferência de D. Pedro II, nos assuntos religiosos, provocando um
descontentamento na Igreja Católica;
Críticas feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que não
apoiava a corrupção existente na corte. Além das proibições imposta pela
Monarquia, onde os oficiais do Exército não podiam se manifestar na Imprensa;
A Classe média (funcionários públicos, profissionais liberais,
jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes), estavam crescendo nos grandes
centros urbanos e desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos
políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social
passou a apoiar o fim do Império;
A falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos
cafeicultores do Oeste Paulista, que desejava obter maior poder político, já
que tinham grande poder econômico.
Assim de acordo com
as pressões e da falta de apoio popular das constantes críticas que partiam de
vários setores sociais, o imperador e seu governo, encontravam-se enfraquecidos
e frágeis, dessa forma, D. Pedro II estava cada vez mais afastado das decisões
políticas do país. Enquanto isso, o movimento republicano ganhava força no
Brasil.
A Questão Militar- Depois da Guerra do Paraguai, o
Exército ganhou importância na Sociedade. Mas, não tinham reconhecimento do
governo monárquico. O poder dos civis era maior do que o dos militares. Sendo
assim o militares queriam maior participação na vida política do país, sendo
que os oficiais do Exército começaram a aderir às ideias republicanas.
Conforme aponta José Ribeiro Júnior (1977 p.205),
durante a Guerra do Paraguai, o exército brasileiro, um dos integrantes, ao
lado de Uruguai e Argentina, da chamada Tríplice Aliança, desenvolveu um
sentimento de classe. Esse espírito de corporação será, após o término da
guerra em 1870, responsável pela maior parte dos atritos entre exército e os
políticos do Império. De fato, como observa o autor, o exército brasileiro
sempre ocupou um lugar secundário na estrutura política da monarquia. Quando a
guerra chegou ao fim, o exército não obteve dos políticos do Império qualquer
tipo de reconhecimento pelo trabalho realizado durante o confronto o Paraguai
de Sólon Lopes. Além do mais, o exército se ressentia dos baixos soldos e da
ausência de investimentos, por parte do governo, em relação à estrutura da
instituição militar. O atraso de pensões, comuns durante esse período, só
faziam aumentar a insatisfação dos militares que acabavam quase sempre punidos
todas as vezes que tornavam públicas suas posições políticas.
A República no Brasil, começou a ter seus primeiros
passos em 1870, coma publicação do “Manifesto Republicano”, no Jornal A
República. Com assinaturas de jornalistas, advogados, médicos, negociantes e
fazendeiros o documento anunciava: “Somos da América e queremos ser
americanos”. Ser americano, naquele momento, significava ser republicano.
Afinal, o Brasil era o único país do continente que ainda adotava a monarquia
como regime de governo.
O manifesto defendia também o Federalismo
(autonomia para as províncias administrarem seus próprios negócios), e
criticava o poder do imperador. Além disso, as ideias como o Abolicionismo e
Positivismo contribuíram para a articulação da “Proclamação da República” em 15
de novembro de 1889 e a formação do Governo Provisório presidido pelo Marechal
Deodoro da Fonseca.
E segundo o
historiador José Murilo de Carvalho em seu livro A Formação das Almas, durante
a gestação da República, destacaram-se três projetos políticos: Liberalismo à
americana- defendia uma sociedade regulada pelo mercado, sem intervenção do
Estado na vida dos cidadãos. Era adotada principalmente pelas oligarquias
rurais paulistas (PRP) e mineras;
Jacobinismo à francesa- pregava a participação
direta dos cidadãos no governo. Alguns setores urbanos, como os profissionais
liberais, os estudantes, os jornalistas e os professores defendiam o
jacobinismo;
Positivismo-criado pelo francês Augusto Comte,
defendia um Poder Executivo forte e um Estado intervencionista. Grande parte
dos militares brasileiros identificava-se com esse projeto.
Por fim,
percebe-se que o acontecimento da Proclamação da República, contou com a
participação de lideranças de vários setores como militares, como o general
Deodoro da Fonseca e o tenente coronel Benjamin Constant, republicanos do grupo
moderado, como Quintino Bocaiúva, Campos Sales e Aristides Lobo e um político
desencantado com a Monarquia e favorável à federação, Rui Barbosa, quanto ao
povo, pouco participou. Ou seja, não havia ninguém que pudesse ser considerado
um representante das camadas populares.
As Leis abolicionistas:
Alves
Branco, imposto de 1844 que ampliava as taxas alfandegárias cobradas sobre os
produtos importados que chegassem ao país.
Lei Bill Aberdeen: Ela proibiu a rota de escravos
que saiam da África e chegavam ao continente americano, contribuindo assim, com
as leis abolicionistas no país que objetivavam a libertação do trabalho
escravo.
Lei do Ventre Livre: Segundo o disposto na lei, os
filhos dos escravos - chamados de ingênuos - tinham duas opções: ou ficavam com
os senhores de suas mães até a maioridade (21 anos) ou poderiam ser entregues
ao governo. Na prática, os escravocratas mantiveram os ingênuos nas suas
propriedades, tratando-os como se fossem escravos. Em 1885, dos 400.000
ingênuos, somente 118 ingênuos foram entregues ao governo-os proprietários
optavam por libertar escravos doentes, cegos e deficientes físicos.
A Lei do Ventre Livre declarava de condição livre
os filhos de mulher escrava nascidos desde a data da lei. O índice de
mortalidade infantil entre os escravos aumentou, pois além das péssimas
condições de vida, cresceu o descaso pelos recém-nascidos. A ajuda financeira
prevista pela Lei do Ventre Livre, aos fazendeiros, para estes, arcarem com as
despesas da criação dos ingênuos jamais foi fornecida aos fazendeiros:
Lei dos Sexagenários: A partir de 1887, os abolicionistas passaram
a atuar no campo, muitas vezes ajudando fugas em massa, fazendo com que por
vezes os fazendeiros fossem obrigados a contratar seus antigos escravos em
regime assalariado. Em 1887, diversas cidades libertam os escravos; a alforria
era normalmente condicionada à prestação de serviços (que, em alguns casos,
implicava na servidão a outros membros da família).
Lei Eusébio de Queirós. Numerosos negros robustos e
ainda jovens eram, legalmente, sexagenários, sendo libertos, neste caso, pela
Lei dos Sexagenários, ainda em condições de trabalho. Os proprietários ainda
tentariam anular a libertação, alegando terem sido enganados porque não foram
indenizados como prometia a lei. As zonas recentemente desbravadas do oeste
paulista se revelavam mais dispostas à emancipação total dos escravos: ricas e
prósperas, já exerciam grande atração sobre os imigrantes, mais bem preparadas
para o regime de trabalho assalariado.
Lei Áurea, em 9 de novembro de 1888, na Câmara
Geral, pelo deputado geral Andrade Figueira que acusou a polícia paulista
(Força Pública) e políticos de serem coniventes com estas fugas, o que levou os
proprietários de escravos paulistas a libertarem seus escravos para evitar mais
violência:
Os escravos fugiram em massa, prejudicando não só
os grandes interesses econômicos, mas também interesses de segurança pública:
houve mortes, houve ferimentos, houve invasão de localidades, houve o terror
derramado por todas as famílias, e aquela importante província durante muitos
meses permaneceu no terror mais aflitivo. Felizmente os proprietários de São
Paulo, compreenderam que, diante da inação da Força Pública, melhor seria
capitularem perante a desordem, e deram liberdade aos escravos.
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